Você me diz palavras duras. Às vezes eu não sei se são carregadas de intenção ou se simplesmente escapam, como pedras lançadas sem que se perceba o peso que têm ao cair. Mas quando elas chegam até mim, eu sinto. Sinto no corpo inteiro, como se cada sílaba encontrasse um lugar sensível onde pousar. Dói por dentro e por fora, dói no silêncio que fica depois, dói nas perguntas que não faço e nas respostas que talvez eu nem queira ouvir. E ainda assim, mesmo quando dói, eu sigo te amando.
Eu digo com a coragem de quem não sabe amar pela metade. Digo com a sinceridade de quem não aprendeu a esconder o que sente e que não sente pela metade. E quando eu falo, você responde que eu vou embora. Como se amar fosse apenas uma passagem breve, como se tudo isso estivesse destinado a desaparecer antes mesmo de se tornar inteiro.
Eu me declaro, com o coração aberto, como quem coloca a própria alma nas mãos de alguém. E às vezes você ri. Não sei se é defesa, se é medo ou apenas a leveza que você carrega nas coisas que, para mim, são tão profundas. Seu riso atravessa o momento, e eu fico ali, entre a fragilidade e a esperança, tentando entender se ele aproxima ou distancia. Ainda assim, quando eu te olho, não há dúvida no que sinto.
Eu te olho com olhos de admiração, daqueles que observam cada gesto como se fosse um pequeno milagre cotidiano. Eu te elogio sem esperar nada em troca, porque há coisas que simplesmente precisam ser ditas. Há beleza em você que transborda e que eu não sei guardar só para mim.
Queria andar de mãos dadas com você pela vida, sentindo que nossos passos encontram o mesmo ritmo. Queria te beijar sem pressa, como quem tem tempo para permanecer. Queria que o mundo inteiro soubesse, sem segredo nem receio, que eu te amo. Não como uma confissão escondida, mas como uma verdade viva.
E eu não quero ficar pensando na dor que talvez venha, nem no sofrimento que o futuro possa trazer. O amor já carrega riscos suficientes para que a gente ainda invente outros antes da hora. Eu só quero viver o que existe agora. Quero aproveitar cada dia ao seu lado como se fosse, ao mesmo tempo, o primeiro e o último. Como se cada encontro tivesse a surpresa do começo e a intensidade de algo que não pode ser desperdiçado. Porque o amor pede presença.
Por isso eu não quero pensar na despedida.
Não agora.
Não enquanto ainda há mãos que podem se encontrar, olhares que podem se cruzar e palavras que ainda podem ser ditas.
Eu só quero amar você enquanto o tempo nos permite existir no mesmo instante. E, dentro desse instante, viver tudo o que couber de nós.

