quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Quantas voltas o mundo precisa dar até que dois caminhos finalmente se reconheçam? Quantos desencontros, quantas esperas silenciosas, quantas noites atravessadas em pensamentos até que o destino, com sua paciência misteriosa, resolva organizar um encontro? Às vezes a vida parece brincar de esconder aquilo que, no fundo, já estava escrito para acontecer. Talvez seja preciso perder-se muitas vezes antes de encontrar o lugar onde o coração realmente descansa.

E quantas vezes é preciso encarar a luz até que os olhos aprendam, de fato, a enxergar? Eu passei muito tempo no escuro. Tempo demais caminhando entre sombras, tateando sentimentos, tentando compreender aquilo que ainda não tinha nome. No escuro, a gente aprende a sobreviver, mas não aprende a viver. E eu sobrevivi por muito tempo, acreditando que aquilo bastava.

Mas a luz chegou, não de forma brusca, nem como um clarão que cega. Ela chegou devagar, como quem pede licença para entrar. E quando percebi, já não estava mais perdida. Já não estava mais sozinha dentro de mim.

Agora eu não tenho mais medo de temporal. Aprendi que as tempestades também fazem parte do caminho, que os ventos fortes não vêm apenas para destruir, mas para revelar aquilo que é verdadeiro e permanece de pé. Se for preciso atravessar fogo, eu atravesso. Se for preciso arder, eu ardo. Queimo na fogueira sem recuar, porque há uma força maior me chamando para continuar.

Meu corpo arde, mas é um ardor que fala de vida, de desejo, de entrega. Um ardor que não machuca, mas desperta. Um fogo que ilumina aquilo que antes parecia impossível.

E agora eu sei: já não consigo ficar longe. A distância pesa no peito como uma ausência que o corpo inteiro sente. Eu adoeço de saudade, de silêncio, de falta. Há algo em você que me atravessa profundamente, algo que me chama de volta, sempre.

Sinto falta do seu cheiro de azul, azul que me lembra céu aberto de verão, mar profundo, horizonte sem fim. Seu cheiro tem a calma das manhãs claras e, ao mesmo tempo, a intensidade das coisas que não se explicam.

Eu preciso do calor do seu corpo como quem precisa do sol depois de uma longa noite. É nesse calor que encontro abrigo, que encontro sentido. É nele que o mundo parece finalmente se organizar.

Porque, no fim, há encontros que não são apenas encontros.
São chegadas.
São reconhecimentos.
São vidas que, depois de tantas voltas do mundo, finalmente encontram o lugar onde pertencem.

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