domingo, 4 de junho de 2017

Escrevo...

Mas minha vontade mesmo é gritar.
É que sua indiferença machuca. E mesmo que eu saiba como é sentir-me rejeita, gostaria que a história não se repetisse de novo.
Doeu na hora, doeu depois e a dor não passa. 
E é foda sentir essa dor. 
Meu corpo me lembrando da sua presença na noite passada.

Noite essa que você insistiu em fingir que não aconteceu.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A irmã mais nova - Crônicas do cotidiano escolar

Já faz um tempo, cheguei na escola e lá estava ele. Envolto em um ar de mistério, sentado sozinho no banco de lápis de cor. Sorte a dele viver alheio aos problemas do mundo. Azar o meu, que cansada, sentei um pouquinho, inutilmente tentando descansar um peso invisível, aquele tipo de peso que dói por dentro. 
Ele parece um garoto bom, seja sentado em algum banco ou brincando com as outras crianças. Corro o risco de dizer até que parece feliz. Aquela felicidade genuína de criança, sabe?! De correr, rir e gritar ao mesmo tempo, aquele sentimento de liberdade que aproxima a gente do nosso lado mais primitivo. 
Mas sabemos que nem tudo são flores, crianças podem ser cruéis, e na maioria das vezes são. É difícil ser fora do padrão. E é agora que chego aonde quero chegar. Logo na entrada ouço um som grave, parecido com som de bicho grande, encurralado, ferido. Eu presa do lado de dentro, inquieta, impotente, sem poder fazer nada. 
Reconheci o sapatinho rosa. O corpo franzino, natural de uma menina de pouca idade. Traz em sua pequena mão a mão grande do irmão. Desvencilhando-o dos outros meninos, maiores que ela, maiores que ele, que como aves de rapina atormentavam-no. Resolvi chamar ela de valente. Ainda pequenina, nem imagina a força que tem. Eu pensei na minha irmã, das vezes que ela me protegeu. Também pensei em um primo que perdi tempo atrás. Uma saudade inundou meu coração e quase transbordou pelos meus olhos, eu sabia que seria um dia difícil. Não sei se igualmente difícil ao dia dele, mas ele está em vantagem, segurando a mão dela, pula quando a corda vem, em uma relação de afeto, conforto, confiança, segurança. Brincadeira de criança tem dessas coisas, é construção interna para o futuro, mas também é aprendizado para adulto que observa, é exemplo.

Talvez eu devesse pedir para segurar na mão dela também, e assim como ele, saber que vai ficar tudo bem.  

terça-feira, 7 de março de 2017

Meu corpo dói,
Cada centímetro sente o cansaço do peso do mundo.
Eu pensei em desistir dia desses.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Aconteceu...

E como um cão que lambe as próprias feridas em busca da cura
Por um ano
Lambi as minhas
Estou pronta

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Das reflexões (desejos)

Eu gostaria muito que a gente tivesse acontecido.
Teríamos passado a tarde conversando na varanda. Risos, talvez até discordássemos sobre os assuntos banais. Um café e um cigarro. A tarde cairia dando lugar a noite fresca. Um vinho. Tomaríamos banho juntas. Transaríamos, se você quisesse.
Agora, deitadas na cama antes de dormir, você me aconselharia. E me diria que amanhã é um grande dia, que eu preciso dormir. Eu não sentiria tanto medo e nem me sentiria sozinha.
Nos beijaríamos mais uma vez e dormiríamos. Eu não teria pesadelo nem insônia.

Mas a gente não aconteceu. Simples assim. Não deu certo.

Não teve varanda, nem conversa, nem café. Eu fiquei trancada no quarto escuro e quente. Não vi a tarde cair. Não teve conselho, nem sexo, nem beijo... Eu estou triste, sozinha e com medo.
Não consigo dormir, e se conseguir, terei pesadelos.

Eu gostaria de não acordar amanhã.

E só penso em "Ana, o guizo e o saco de estrelas"

E saiu Ana, o Guizo e o Saco de Estrelas com sua sina de realizar o desejo dos outros a custa do seu...

E cumpra-se a profecia...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Casos do Acaso

Peguei-me rindo sozinha,
Cá com meus pesamentos
Achei gozado os acasos
Das peças que a vida insiste em pregar.

Pensei em você
E na mesma hora nossa música começou a tocar no rádio.
Talvez eu devesse te mandar uma mensagem
Deixei uma conversa suspensa da última vez
Talvez eu lhe deva uma explicação
Talvez não

A música acabou
Nem me dei conta
Tão perdida aqui dentro
Raramente presto atenção
Só na conversa animada das meninas na minha frente
Lembrei de uma amiga da escola

Quem foi que sumiu da vida de quem?!



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

SOBRE ELA - Encontros e desencontros

Relato
Re

Relembrar
Remoer
Reviver
ReAmar

Talvez não seja sobre ela, talvez seja sobre mim...


No dia 14/10,  Ela me convidou para ir à sua casa.
Ela disse que não estava muito bem e me pediu para no sábado, dia 17/10, que eu fosse sozinha visitá-la.

Aí já viu né?! Fiquei cheia de expectativas, fantasiando mil coisas na minha cabeça, quase morri.
No dia seguinte, passada toda a euforia inicial do convite e avaliando todas as possibilidades, me dei conta de que estava fantasiando, como sempre, o que era apenas um convite para uma conversa, e nada mais. Talvez ela só precisasse despejar o lixo dela em alguém, ou dividir o fardo dos problemas, ou rir atoa depois de umas cervejas, ou tudo isso, ou até mesmo nada. Eu deveria aquietar meu espírito, e esperar.

Os dias se arrastaram, castigando-me num turbilhão de medo e ansiedade, mas finalmente o sábado chegou. Acordei cedo, estudei, fiz meus trabalhos domésticos, não consegui almoçar direito, acabei chegando cedo, com uma hora de antecedência lá, naquele bar próximo a casa dela. Tão perto. Lembrei-me do dia que nos encontramos nesse mesmo lugar, dos seus lindos olhos, do sorriso.

Perdi a coragem. Precisava beber. Pedi uma cerveja. Depois de 3 copos mandei uma mensagem, ainda não estava pronta para enfrentar ela (nem mesmo pelo telefone). Avisei que tinha chegado e se ela quisesse descer poderíamos ficar lá, conversando e tomando umas cervejas. Ela aceitou, estava cansada de ficar em casa e precisava sair um pouco, pronto, foi o suficiente para o meu coração me trair, batendo tão forte que eu tinha certeza que ela escutaria assim que se aproximasse.

Longos minutos agonizantes, e lá estava ela, linda, parada ao meu lado. O sorriso que me desestabiliza, levantei e abracei-a, talvez tenha sido longo demais ou apertado demais, mas não tenho muitas oportunidades de ter ela em meus braços, me entreguei. Deixei que cada célula do meu corpo se acalmasse com o toque do corpo dela. Fui tomada por uma paz inexplicável, mas nos separamos, não sei que soltou primeiro. Eu estava fora de mim, vendo a cena como quem vê um filme. Sentamos, fumamos, bebemos, conversamos. Pessoas entraram e saíram dos nossos papos, recebemos um convite para um evento lésbico e resolvemos ir. Mas antes, ela quis passar em casa para trocar de roupa. Ela mudou-se para o andar de cima, ainda não conhecia a casa nova, e assim que entrei não senti presença do fantasma da “ex” dela na decoração da casa, mesmo tendo tocado no assunto de como as coisas tem acontecido desde que a “ex” foi para outro estado, ela era apenas uma sombra no passado, ver a casa sem fotos dela e dos pertences dela foi aconchegante.

Apresentou-me a casa.  Grande, fresca, com cara de casa de escritora, com janelas que dão para o parque, o barulho de água correndo pelas pedras, (tudo bem que eu sou meio suspeita, porque ela poderia morar num porão que só a presença dela deixaria tudo lindo), inevitavelmente me inclui na cena, imaginei-me morando lá, com ela, pertencendo à família dela... Em meio aos meu devaneios fiquei na sala, em pé, desconfortavelmente olhando seus livros enquanto ela trocava de roupa com a porta aberta. Foi um convite? Não sei. Se eu fosse mais ousada tentaria, ficaria parada, na porta e testaria. Ela poderia pedir licença, me convidar para entrar. Mas não tive coragem. Ela poderia me achar invasiva, e então tudo estaria perdido. Talvez eu tenha começado a perder nesse momento, por medo de perder.

Tivemos vários impasses, somos duas librianas, uma esperando que a outra tome decisões. E eu ainda tenho alguns agravantes, por natureza sou passiva e submissa, depositando sobre ela as decisões, e ela, me cobrando impassível que eu me imponha. E assim continuamos nossa caminhada até o evento.

Muda, ficava ensaiando coisas para dizer. Não consegui pensar em muitas coisas, então continuava muda.

Chegamos cedo, e nos sentimos deslocadas em meio à uma garotada cheia de energia. À medida que o tempo foi passando, pelo fato do evento ser próximo a casa dela, os conhecidos dela começaram a perguntar pela “ex”, então, a história foi recontada diversas vezes me deixando desconfortável, entretanto, conhecemos outras pessoas que acharam que éramos um casal, e respondíamos que éramos apenas amigas. Mas em gestos e atitudes éramos mais, dividindo bebidas, cigarros, gentilezas.

Em meio aos nossos papos ela me contou dos relacionamentos anteriores, do pai do filho dela, as namoradas, da “ex”, disse que todos tiverem que chegar nela, que ela não é do tipo que toma iniciativa. E eu disse que eu também era assim, então ela rio o sorriso sacana, característico dela e disse que eu tinha “cantado” ela. Daí eu disse que com ela tudo era diferente. Fiquei rubra. Mudamos de assunto. Mas eu fiquei pensando, será que devo investir novamente? Mas ela já tinha me deixado bem claro que não dava para ser mais que amizade.

Fiquei presa internamente nas minhas dúvidas, no meu impasse. Avaliando a situação, os “e se”. E quando carrego o caos dentro de mim acabo me comunicando pouco, e por diversas vezes ela cobrou que me comunica-se, mas eu não sabia o que dizer.

Ela me convidou para ficar na casa dela, pois estava ficando tarde para eu ir para casa. Afastei-me para avisar minha mãe, e foi a gota que derramou o cálice. Em menos de um minuto já visualizei, imaginei, questioneis mil coisas. Um pânico percorreu o meu corpo.

Na verdade, com uma mulher eu nunca passei do limite de uns beijos de rock, e também nunca fui apaixonada, e de fato estou apaixonada.

“E se não for nada do que eu estou pensando? Posso lidar com a rejeição? E se for? Estou pronta? Vou saber o que fazer?”
 E pronto, já estava perto da galera, que conversava animadamente. Perdida nos meus pensamentos, ela notou minha ausência e decidimos ir para casa. Ela falou sobre a história do centro da cidade, de pessoas, da vida, no percurso até a casa dela, e eu ouvindo.

Mais uma vez, e dessa vez muito mais enfática, disse que eu era muito mais comunicativa pela internet. Eu tentei argumentar que eu me comunicava sim, mas tive medo (ou vergonha) de falar a verdade. Ela me intimida. É fato, a inteligência, a sabedoria, a beleza, a maturidade, etc. A lista de adjetivos é grande e eu não me sinto nem metade do que ela é. Mesmo que, as vezes, ela ache que não é lá grandes coisa, mas para mim é. Decidi ir para minha casa, e não ficar na casa dela, eu não me sentia pronta, para vai se saber lá o que era tudo aquilo que estava acontecendo, tão rápido. Sou covarde, e como tal, cumpri meu papel. Pensei em roubar um beijo antes de entrar correndo no ônibus, mas falhei. Era para ser “o dia” da minha vida, mas não foi. Senti-me impotente, medrosa e covarde, só queria o conforto de me esconder embaixo dos lençóis da minha cama. Ainda tive tempo para estragar tudo um pouco mais. Mandei uma mensagem dizendo que ela me intimidava.

Ela respondeu: “já que te é tão intimidante, creio ser melhor ser na ausência. Desculpe, não sei ser diferente. Obrigada pela companhia. Boa noite.”


17/10/2015 e já foram 51 dias de Pulsão de morte.