Agora eu não tenho mais medo de temporal. Aprendi que as tempestades também fazem parte do caminho, que os ventos fortes não vêm apenas para destruir, mas para revelar aquilo que é verdadeiro e permanece de pé. Se for preciso atravessar fogo, eu atravesso. Se for preciso arder, eu ardo. Queimo na fogueira sem recuar, porque há uma força maior me chamando para continuar.
Meu corpo arde, mas é um ardor que fala de vida, de desejo, de entrega. Um ardor que não machuca, mas desperta. Um fogo que ilumina aquilo que antes parecia impossível.
E agora eu sei: já não consigo ficar longe. A distância pesa no peito como uma ausência que o corpo inteiro sente. Eu adoeço de saudade, de silêncio, de falta. Há algo em você que me atravessa profundamente, algo que me chama de volta, sempre.
Sinto falta do seu cheiro de azul, azul que me lembra céu aberto de verão, mar profundo, horizonte sem fim. Seu cheiro tem a calma das manhãs claras e, ao mesmo tempo, a intensidade das coisas que não se explicam.
Eu preciso do calor do seu corpo como quem precisa do sol depois de uma longa noite. É nesse calor que encontro abrigo, que encontro sentido. É nele que o mundo parece finalmente se organizar.
Porque, no fim, há encontros que não são apenas encontros.
São chegadas.
São reconhecimentos.
São vidas que, depois de tantas voltas do mundo, finalmente encontram o lugar onde pertencem.