quarta-feira, 11 de março de 2026

AS DORES DE DOMINGO

Você me diz palavras duras. Às vezes eu não sei se são carregadas de intenção ou se simplesmente escapam, como pedras lançadas sem que se perceba o peso que têm ao cair. Mas quando elas chegam até mim, eu sinto. Sinto no corpo inteiro, como se cada sílaba encontrasse um lugar sensível onde pousar. Dói por dentro e por fora, dói no silêncio que fica depois, dói nas perguntas que não faço e nas respostas que talvez eu nem queira ouvir. E ainda assim, mesmo quando dói, eu sigo te amando.

Eu digo com a coragem de quem não sabe amar pela metade. Digo com a sinceridade de quem não aprendeu a esconder o que sente e que não sente pela metade. E quando eu falo, você responde que eu vou embora. Como se amar fosse apenas uma passagem breve, como se tudo isso estivesse destinado a desaparecer antes mesmo de se tornar inteiro.

Eu me declaro, com o coração aberto, como quem coloca a própria alma nas mãos de alguém. E às vezes você ri. Não sei se é defesa, se é medo ou apenas a leveza que você carrega nas coisas que, para mim, são tão profundas. Seu riso atravessa o momento, e eu fico ali, entre a fragilidade e a esperança, tentando entender se ele aproxima ou distancia. Ainda assim, quando eu te olho, não há dúvida no que sinto.

Eu te olho com olhos de admiração, daqueles que observam cada gesto como se fosse um pequeno milagre cotidiano. Eu te elogio sem esperar nada em troca, porque há coisas que simplesmente precisam ser ditas. Há beleza em você que transborda e que eu não sei guardar só para mim.

Queria andar de mãos dadas com você pela vida, sentindo que nossos passos encontram o mesmo ritmo. Queria te beijar sem pressa, como quem tem tempo para permanecer. Queria que o mundo inteiro soubesse, sem segredo nem receio, que eu te amo. Não como uma confissão escondida, mas como uma verdade viva.

E eu não quero ficar pensando na dor que talvez venha, nem no sofrimento que o futuro possa trazer. O amor já carrega riscos suficientes para que a gente ainda invente outros antes da hora. Eu só quero viver o que existe agora. Quero aproveitar cada dia ao seu lado como se fosse, ao mesmo tempo, o primeiro e o último. Como se cada encontro tivesse a surpresa do começo e a intensidade de algo que não pode ser desperdiçado. Porque o amor pede presença.

Por isso eu não quero pensar na despedida.
Não agora.
Não enquanto ainda há mãos que podem se encontrar, olhares que podem se cruzar e palavras que ainda podem ser ditas.

Eu só quero amar você enquanto o tempo nos permite existir no mesmo instante. E, dentro desse instante, viver tudo o que couber de nós.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Quantas voltas o mundo precisa dar até que dois caminhos finalmente se reconheçam? Quantos desencontros, quantas esperas silenciosas, quantas noites atravessadas em pensamentos até que o destino, com sua paciência misteriosa, resolva organizar um encontro? Às vezes a vida parece brincar de esconder aquilo que, no fundo, já estava escrito para acontecer. Talvez seja preciso perder-se muitas vezes antes de encontrar o lugar onde o coração realmente descansa.

E quantas vezes é preciso encarar a luz até que os olhos aprendam, de fato, a enxergar? Eu passei muito tempo no escuro. Tempo demais caminhando entre sombras, tateando sentimentos, tentando compreender aquilo que ainda não tinha nome. No escuro, a gente aprende a sobreviver, mas não aprende a viver. E eu sobrevivi por muito tempo, acreditando que aquilo bastava.

Mas a luz chegou, não de forma brusca, nem como um clarão que cega. Ela chegou devagar, como quem pede licença para entrar. E quando percebi, já não estava mais perdida. Já não estava mais sozinha dentro de mim.

Agora eu não tenho mais medo de temporal. Aprendi que as tempestades também fazem parte do caminho, que os ventos fortes não vêm apenas para destruir, mas para revelar aquilo que é verdadeiro e permanece de pé. Se for preciso atravessar fogo, eu atravesso. Se for preciso arder, eu ardo. Queimo na fogueira sem recuar, porque há uma força maior me chamando para continuar.

Meu corpo arde, mas é um ardor que fala de vida, de desejo, de entrega. Um ardor que não machuca, mas desperta. Um fogo que ilumina aquilo que antes parecia impossível.

E agora eu sei: já não consigo ficar longe. A distância pesa no peito como uma ausência que o corpo inteiro sente. Eu adoeço de saudade, de silêncio, de falta. Há algo em você que me atravessa profundamente, algo que me chama de volta, sempre.

Sinto falta do seu cheiro de azul, azul que me lembra céu aberto de verão, mar profundo, horizonte sem fim. Seu cheiro tem a calma das manhãs claras e, ao mesmo tempo, a intensidade das coisas que não se explicam.

Eu preciso do calor do seu corpo como quem precisa do sol depois de uma longa noite. É nesse calor que encontro abrigo, que encontro sentido. É nele que o mundo parece finalmente se organizar.

Porque, no fim, há encontros que não são apenas encontros.
São chegadas.
São reconhecimentos.
São vidas que, depois de tantas voltas do mundo, finalmente encontram o lugar onde pertencem.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2026


Quando um novo ano se aproxima, o mundo parece respirar diferente. Há uma pausa silenciosa entre o que fomos e aquilo que ainda vamos ser. É nesse intervalo delicado do tempo que os desejos nascem, que as esperanças se reorganizam e que o coração aprende a olhar para frente com mais coragem.

E foi justamente nesse tempo de recomeço que você me encontrou.

Como quem chega sem alarde, mas muda a paisagem inteira. Como uma presença que não precisa fazer esforço para iluminar o ambiente. 

Olhar para você é como abrir uma janela depois de muito tempo e descobrir que o ar lá fora está mais leve do que se imaginava. Há algo em você que inspira, não apenas pelas palavras que diz, mas pela forma como existe no mundo. Pela delicadeza com que olha as coisas, pela força silenciosa que carrega, pela luz que espalha sem sequer notar. E me fez feliz de um jeito simples e profundo ao mesmo tempo.

Feliz como uma criança brincando com fogo. Feliz como quem aprende novamente a sorrir sem motivo específico. Feliz como quem percebe que alguns encontros têm a capacidade rara de reorganizar o coração. Sua presença desperta em mim uma vontade bonita de viver o tempo com mais atenção, de guardar os pequenos momentos como quem coleciona estrelas.

E agora, diante de um novo ano que começa a se desenhar no horizonte, meu desejo não é grandioso nem complicado.

Eu desejo tempo.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Sobre encontros e borboletas no estômago

O balançar das pernas, o sacudir dos dedos, o coração acelerado, mãos frias. É sobre querer e ter medo. Capturo a cor dos seus olhos, espalho ao mundo, devolvo. Você não tem ideia de como é doce. Eu sei que devo lhe falar.

Eu que sempre deitei madeiras e fiz pontes desde o início, com machado, com curso de rio desviado, com minhas próprias inundações. Não tenho represas a não ser a escrita. Capte a agitação que nem eu mesma vejo, deixe-me levá-lo em minhas correntezas.

Use as mãos. Use o peito. Use todo corpo. É necessário sentir o que se sente. Não é preciso. Nada é preciso. A vida, meu amor, não tem nada de óbvio.

Estou em processo de cura. Estamos. Capte a minha tristeza mais funda e permita ser alento. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Deixa...

Era uma vez, como nos contos encantados que ela sempre sonhou viver,
Uma jovem meiga, e sem pretensão, eu diria que encantadora
Ela não sabia o que queria
Ela queria tudo e não sabia que nunca teria, pois tudo não poderia ter,
Todos não poderia ter
Levou um tempo e uma certa dor para que pudesse entender
Falhou, acertou, consertou, rebocou,
Fragilizou,
Quebrou, chorou, sensibilizou
Teve nova chance e outra chance
Errou, errou errou, mas nada se faz sozinho 
E com determinação e vontade de ser par
Aceitou
Colou
Pra sempre
Chorou-emocionou-viveu-mergulhou-encontrou
Foi INTENSA
Se descobriu e descobriu o amor
Ganhou seu par
Enquanto os outros apenas se aproveitaram, ela sempre esteve aí pra você, por você
Esteve ai pra você, mas precisou ir
Teve que ir
Partiu
Partilhou
Compartilhou com você
Mas não se afastou
Ela é o outro, é o um
Ela é você, é cada um de seus desejos
Tudo
Todos
Nada
Plenitude do silêncio
A contradição do amor
Ausência doce de uma falta
Felicidade e momentos
Construção de vida
Estou aprendendo
Amor, doce, ciumes, preguiça, ono, brigas, outros...
Ele pessoa, sentimento, idealização, recompensa, decepção
Ela não liga, nunca soube o que querer
E os dois se dão por feliz as vezes
Ele volta
Ele quer ter você de volta
Ela não sabe, mas aceita
Ele
Ela
Diferentes pessoas de uma mesma relação, que não sabe o que querer
Ele não sabe lidar com todas elas,
Mas com tudo (e todas) diz que a ama
É assim que deve ser
Não deve?!
Não há dever
São livres
É tudo uma opção
A escolha foi ser livres juntos
Se juntos vão ficar veremos e se livres também
Deixa...

domingo, 14 de abril de 2019

Sobre criar expectativas

Ela sempre precisa de algo
Nunca se dá por satisfeita
A não ser para se iludir
Ou criar uma imagem
E mesmo assim nunca é o bastante
É preciso de mais
É preciso do novo
É preciso de novo
E de novo
É preciso do mais
Sempre é preciso de algo
Do mesmo novo de novo
Sempre
É que ela se doa sempre esperando algo que nunca terá
E por isso é infeliz
Ela sempre busca o que nunca terá
E por isso é infeliz
As pessoas que não buscam nada são felizes
Por isso tudo serve
Mas para ela, o tudo também não é suficiente
Não agrada
Há cobrança
Há drama
E o elo se parteAs coisas não passam de algo que se deveria
Deveria
Fazer
Agradecer
Buscar
Indignar
Não esperar
Desesperar
Fugir e se prender numa redoma de vidro não adianta, ela não é a Rosa do Pequeno Príncipe
Decida-se
Você quer?
Para quê?
Com quem?
Pode me dar mil respostas
Mas caímos nos mesmo velhos e previsíveis erros
Sempre mais do mesmo
Será que isso nunca vai mudar?
Afinal depende do quê?

sábado, 13 de abril de 2019

Dói profundamente
Me corta a alma
Sangra

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Eu te amo ou sobre os clichês (Sou uma romântica incurável)

Acho que dessa vez veio para ficar
Podemos chamá-lo de passarinho verde, com aquele sorrisinho bobo o dia todo
Justo eu que coleciono sentimentos fracassados 
encontrei um amor recíproco, 
forte
único, exclusivo

Procurei errado e contentei-me com o pouco que achava que merecia
Procurei no bares, na faculdade, na rua
vendo o pôr do sol
em amigos de amigos de amigos
em todos os lugares que pareciam possibilidades
fiz tudo pra que desse certo
pra que os relacionamentos funcionassem
Total devoção e dedicação
pra que pudesse ouvir alguém dizer que me amava e eu tivesse a chance de retribuir com sinceridade

Mas nunca acontecia, cheguei a achar que havia algo de errado comigo
e eu procurei e procurei e procurei...
Ferida pelo caminho conquistei algumas cicatrizes
boas histórias
e outras nem tão boas assim
mas não o amor
e nunca encontrei-o quando a intenção era essa

Esbarrei com o sentimento em um dia desses,
num desses dias que você sai de casa sentindo medo, insegurança, mas cheia de vontade de viver
Completamente inesperado
falando com um menino que eu pensei ser somente mais um amigo, um novo amigo
Ao contrário do que eu esperava
ele gostou de mim também


A gente foi se curtindo sem saber...

E foi 
foi numa segunda-feira despretensiosa que eu esbarrei com o amor
e o universo quis nos aproximar

Foi numa noite de quinta que eu entendi que estava amando
que nem todas as nossas vontades dependem de esforço
pra que sejam atingidas
às vezes, tudo que precisamos
é dar tempo ao tempo

Até um dizer o eu te amo um pro outro
e as declarações mais sinceras possíveis saírem naturalmente
muitas vezes nos momentos em que eu menos esperava

Hoje

Eu já não procuro mais.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Eu fiquei feliz cedo demais
Fui precipitada
Declarei encerrado o livro do passado
Cedo demais
Pensei ter sorte
E com descuido esqueci-me que sou uma azarada
E 2018 mostrou-me que a felicidade é efêmera

Hoje doi .

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018


Eu nunca fui muito consistente ao tentar explicar o amor, isso deve-se pelo fato de nem eu mesma conseguir entender. Eu andei com raiva do amor, e até incrédula, mas o amor é malandro e sabe que nesse jogo comigo sempre ganha. E sempre que desacreditada de sua existência ele aparecia, maquiado de criança doce, vestido de amigo preocupado, fantasiado de mãe carinhosa, escondido num corpo gordo de gato ronronando no meu ouvido. E eu, que sou assim de fácil convencimento, não poderia ignorar sua presença. Hoje eu apenas aceito.







"Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também" ♪

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Medo
Medo de mim, de você
Medo de errar, de não saber o que fazer
Medo de não gostar, de gostar, de me arrepender
Medos grandes, paralizantes
Medos bobos
Medo de nem eu sei o quê

Mas, "de todos os infindáveis abraços nus o teu então eu anseiava em silêncio", mesmo com medo eu fui.

Ainda bem.








"Primeiro é o beijo
Quente, procurado
A língua procurando a outra
E vendo se a boca combina
Se combina o beijo
Meio caminho andado
Depois é a pele
Se a textura vale
O pêlo com pêlo
Ou o pêlo com o seu pêlo
Ou os pêlos com meu pêlo
Ou o medo
Depois o cheiro
Um procura no outro
Cheiro de colônia ou
Cheiro de prazer
E os dois se embriagam
Ou vão até o banheiro
Depois a cor
O amor tem cor?
Cada amor tem uma cor
Cada beijo tem uma cor
Cor de caramelo doce
Cor de madrugada fria"
Eu me despedi de você duas vezes no mesmo dia, logo eu que odeio despedidas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Eu sou uma luta contra o tempo, e odeio quando ele se arrasta nos minutos finais antes do final de semana, ou quando ele escorre por entre meus dedos nos momentos de alegria.
Hoje foi assim. 
Um festival de sinais fechados e horas de trânsito separavam nós dois.
Mas não posso culpar somente o tempo. Culpo também o medo, irmão do tempo. E juntos me abraçaram tão forte que estava sem ar.
Mas quando estou com você somos uma canção do Caetano e não há tempo e medo que separe a gente, até a hora em que a vida cobra da gente e a despedida é inevitável, e eu vou mesmo querendo ficar. 


A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim 


🎵





P.S. Nosso primeiro toque.
(e segundo, e terceiro...)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sua cartilha tem o A de que cor?

Eu já sabia, de alguma forma muito inexplicável eu já sabia. Quando decidi ir ao encontro do destino, eu já sabia. Eu sabia que você estaria lá. Eu já sabia que nossos olhos se encontrariam em algum momento. Eu tinha certeza de tudo. Não que eu tivesse gasto muita energia planejando, mas eu já sabia que era inevitável, que era o tipo de coisa que não dá para ir contra. Não que seja o tipo de coisa que vai dar certo, apenas o tipo de coisa que vai acontecer, quer queira ou não.
E mesmo já sabendo que aconteceria, que era inevitável, quando aconteceu eu perdi o chão. Fiquei nervosa, tímida, acho que nem me recordo da meia dúzia de palavras trocadas. Eu gostaria de desmarcar todos os compromissos, mudar de planos... Eu te abracei duas vezes, num curto espaço de tempo, isso nunca acontece. Não sou fã de contato físico, não sou das pessoas que se despede. Mas eu queria ficar. Eu queria te chamar pra sair. Eu queria roubar você pra mim.
E eu até tentei cumprir meus compromissos depois, mas aquela certeza do "eu sabia" fez desandar tudo, atrasos e desencontros até ocupar o mesmo espaço que você.

Admito que sabia, mas não fazia ideia do que ainda estava por vir.

Segurou minha mão suada. Foi repouso e acalanto.

Nosso primeiro beijo. <3 div="" nbsp="">

(e segundo também!)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

2005

Aquele círculo vicioso confortável que te abraça e te impete de enxergar o óbvio.
É 2005 mais uma vez.
Deveria ser mais fácil agora, experiente, resistente por causa das cicatrizes das feridas passadas.
Mas não é.
Tão difícil igual, ou ainda pior, pelo agravante da falta da perspectiva de futuro.
Talvez eu já esteja morta.
Talvez eu tenha morrido em 2005.

domingo, 4 de junho de 2017

Escrevo...

Mas minha vontade mesmo é gritar.
É que sua indiferença machuca. E mesmo que eu saiba como é sentir-me rejeita, gostaria que a história não se repetisse de novo.
Doeu na hora, doeu depois e a dor não passa. 
E é foda sentir essa dor. 
Meu corpo me lembrando da sua presença na noite passada.

Noite essa que você insistiu em fingir que não aconteceu.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A irmã mais nova - Crônicas do cotidiano escolar

Já faz um tempo, cheguei na escola e lá estava ele. Envolto em um ar de mistério, sentado sozinho no banco de lápis de cor. Sorte a dele viver alheio aos problemas do mundo. Azar o meu, que cansada, sentei um pouquinho, inutilmente tentando descansar um peso invisível, aquele tipo de peso que dói por dentro. 
Ele parece um garoto bom, seja sentado em algum banco ou brincando com as outras crianças. Corro o risco de dizer até que parece feliz. Aquela felicidade genuína de criança, sabe?! De correr, rir e gritar ao mesmo tempo, aquele sentimento de liberdade que aproxima a gente do nosso lado mais primitivo. 
Mas sabemos que nem tudo são flores, crianças podem ser cruéis, e na maioria das vezes são. É difícil ser fora do padrão. E é agora que chego aonde quero chegar. Logo na entrada ouço um som grave, parecido com som de bicho grande, encurralado, ferido. Eu presa do lado de dentro, inquieta, impotente, sem poder fazer nada. 
Reconheci o sapatinho rosa. O corpo franzino, natural de uma menina de pouca idade. Traz em sua pequena mão a mão grande do irmão. Desvencilhando-o dos outros meninos, maiores que ela, maiores que ele, que como aves de rapina atormentavam-no. Resolvi chamar ela de valente. Ainda pequenina, nem imagina a força que tem. Eu pensei na minha irmã, das vezes que ela me protegeu. Também pensei em um primo que perdi tempo atrás. Uma saudade inundou meu coração e quase transbordou pelos meus olhos, eu sabia que seria um dia difícil. Não sei se igualmente difícil ao dia dele, mas ele está em vantagem, segurando a mão dela, pula quando a corda vem, em uma relação de afeto, conforto, confiança, segurança. Brincadeira de criança tem dessas coisas, é construção interna para o futuro, mas também é aprendizado para adulto que observa, é exemplo.

Talvez eu devesse pedir para segurar na mão dela também, e assim como ele, saber que vai ficar tudo bem.  

terça-feira, 7 de março de 2017

Meu corpo dói,
Cada centímetro sente o cansaço do peso do mundo.
Eu pensei em desistir dia desses.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Aconteceu...

E como um cão que lambe as próprias feridas em busca da cura
Por um ano
Lambi as minhas
Estou pronta

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Das reflexões (desejos)

Eu gostaria muito que a gente tivesse acontecido.
Teríamos passado a tarde conversando na varanda. Risos, talvez até discordássemos sobre os assuntos banais. Um café e um cigarro. A tarde cairia dando lugar a noite fresca. Um vinho. Tomaríamos banho juntas. Transaríamos, se você quisesse.
Agora, deitadas na cama antes de dormir, você me aconselharia. E me diria que amanhã é um grande dia, que eu preciso dormir. Eu não sentiria tanto medo e nem me sentiria sozinha.
Nos beijaríamos mais uma vez e dormiríamos. Eu não teria pesadelo nem insônia.

Mas a gente não aconteceu. Simples assim. Não deu certo.

Não teve varanda, nem conversa, nem café. Eu fiquei trancada no quarto escuro e quente. Não vi a tarde cair. Não teve conselho, nem sexo, nem beijo... Eu estou triste, sozinha e com medo.
Não consigo dormir, e se conseguir, terei pesadelos.

Eu gostaria de não acordar amanhã.

E só penso em "Ana, o guizo e o saco de estrelas"

E saiu Ana, o Guizo e o Saco de Estrelas com sua sina de realizar o desejo dos outros a custa do seu...

E cumpra-se a profecia...