quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Às vezes me pego pensando em como seria se tudo fosse diferente, se meu presente agora fosse fruto de outras escolhas e até mesmo outros acasos no passado. Se o tempo fosse outro, se o mundo fosse outro, se a profissão fosse outra, se a família fosse outra, se a essência fosse outra... Outras possibilidades. E se minha mãe tivesse me dado para a pediatra quando eu era criança, se eu não tivesse levado uma reguada da professora quando criança ou se minha mãe tivesse feito algo a respeito, e se as escritas fossem verdade, e se eu não fosse sempre a ultima a ser escolhida, e se eu tivesse ganhado o primeiro lugar, e se...
Às vezes o real é tão pesado. Talvez pudesse ser de outro jeito. Paro e falo comigo mesma: "Porque não PODE ser de outro jeito?". Mas é tão difícil ter determinação suficiente quando a dor é continua e não me deixa esquecer.
Aí me pego sonhando com outra vida, com outras pessoas, outros sentimentos, onde você não desperdiça com ela todos os beijos que deveriam ser meus. E tudo muda de novo. Mesmo sendo tudo do mesmo jeito, mesmo sendo nós os mesmos de antes. Ou não seríamos mais nós mesmos? Seriamos outros? Realmente mudamos?
Indecisão? Ou seria exatamente o contrário? Talvez eu fosse decidida demais, é desse jeito. E ponto.
Pelo menos por enquanto. Até o querer ser do outro jeito. Até as asas quererem se abrir, ir para longe. Aí cometo os mesmos erros, sinto os mesmos sentimentos, a mesma raiva.
Mas não se pode voar para sempre, eu sei.
Porque não se pode ser adulta e responsável e ainda assim não perder o sopro da Juventude? Às vezes eu me pego sonhando acordada com outras realidades, outros mundos, outras pessoas, outras eus.

“I like playing in the sand what's mine is ours
If it doesn't remind me of anything” ♪

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"Se eu não fizer novamente
não é por que eu me arrependi
mas porque eu entendi que não é pra mim" A.B.




Podem me acusar de tudo, menos de ser covarde. Eu tentei, por muito tempo, muito tempo, mas não deu certo. Porém, não é porque se está certo de uma decisão que ela não vá deixar de doer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Borboletando


Não sei dizer como aconteceu, mas quando dei por mim ele estava ali, ocupando um espaço tão grande que sem ele eu não existiria.
Mas controladora do jeito que sou lutei contra, uma luta cansativa. Perdi, ou ganhei, depende do ponto de vista. O resultado foi diferente, com a entrega necessária para não dar mais valor ao que não tem qualquer valor. Satisfação de sentar na varanda, só para ver o final de tarde desfilando, porque acha agradável apreciar a mudança das cores em cenários tão conhecidos, que se tornam misteriosos enquanto o anoitecer acontece. Sem forçar, implorar ou obrigar. Sem pressa.
Gostaria de saber o segredo da paz, para parar de alimentar o meu lobo com rancor e ódio.
Gostaria de saber o segredo para manter essa suavidade por mais tempo do que me é permitido, porque a rotina grita histérica, em rigorosos horários, mil e tantas tarefas para um único dia. E essa azia que não me deixa esquecer que as coisas não vão bem.

Gostaria de viver um espetáculo diário, do qual, naquela época, eu não sabia da importância. Eu não sabia da importância de se ter tempo para se sentar e contemplar a vida acontecendo, mesmo que fosse de uma calçada qualquer.

Tem certas coisas que eu não sei dizer... ♪

Passei a minha vida toda fazendo isso, fingindo que não sentia, que não doía. Só que parecia mais fácil ver ele beijando outra, amando outra, andando de mãos dada com outra. E hoje sou até conformada e diria até feliz. Afinal, a vida dele tomou rumo, ele tem futuro agora. Só que agora é diferente, as peças do jogo são outras. É outra situação, me dói muito.

"Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer" ♪

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A lista

A Lista

Faça uma lista de grandes amigos...
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?



Acho que não me sobrou nada.
Gastei tudo, vivi tudo, amei tudo... não me sobrou nada.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E então o feitiço virou contra o feiticeiro, e hoje não sou eu quem sofro.

Meu coração de pedra me permite até sorrir, sem compaixão, da mesma forma que sofri.
E todo esse sentimento secreto cria uma insólita ilusão, um desespero violento. O amor e o ódio são dos dois gumes da faca que usei para me matar. Esse instante de dúvida eu chamei de amor.
O telefone toca. Mas não é ele.
Outra desculpa? Outro dia.
A voz pesada denuncia noite de farra. Bebidas, mulheres, taras, transas espertas, outro homem, outro ciúme insólito. Não quero pensar no óbvio. Minto para mim e sorrio.
Que houve? Estás bem? Esperei tanto!
Queria tanto não me sentir assim! Poucas respostas.
Estou indo aí. Estou com uma fome danada!

Então eu finjo. Deixo-me em outro desassossego e permaneço à espera de algo de luz, alguma coisa leve, ou apenas um grito, algum silêncio, qualquer artifício mágico, ao íntimo do infinito de um verso escrito...
Porque é preciso uma gota de alegria, um fragmento de existência, uma razão pra qualquer coisa. Contei os segundos, tomei o remédio no dia errado, o mês se arrasta e tripudia de mim.
Apalpo o membro alheio e percebo a mesma vontade corpórea. Sequer prossegui nas minhas investidas. Pouco me importa onde ele estivera ontem, pra falar a verdade.
O amor entre dois homens é um perigo à parte.
Ainda tentei fisgar o fio: O amor tem lá os seus demônios.




"And I feel that time's a wasted go
So where are you going to tomorrow?
And I see that these are lies to come
Would you even care" ♪

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E hoje, sentindo toda essa culpa é impossivel não me sentir apaixona por ela. De uma forma diferente nós somos tão iguais.

"You know that I could use somebody

Someone like you, and all you know, and how you speak..." ♪