domingo, 7 de agosto de 2011

"Perder o vazio é empobrecer" ♪

Saiu da sala e as lágrimas que segurou já podiam cair sem ninguém ver, porem não sentiu mais vontade de chorar.
O vazio dentro dela era seguro e caminhar com a vista embaçada era ruim e já sentira que havia perdido o chão há um bocado de tempo.


Já dentro do ônibus, cansada, e triste pensou no pressentimento ruim que teve na semana passada.
Não queria voltar pra casa, não queria ficar sozinha. O silêncio às vezes é insuportável pra ela.
e às vezes ela se dói tanto que fica insuportável.
É tão raro entregar-se a sua tristeza, permitir-se chorar, achar que é hora de desistir. Aceitar que não está tudo bem.
Pensou em ligar pra ele, dizer que está com saudades, que quer vê-lo e amá-lo do jeito dele.

E tudo porque hoje, alguém jogou uma balde de água fria bem na cara dela. E foi de propósito.


o que ainda não aconteceu?


Se não fosse trágico, seria cômico. Ou o contrário.
Acordou melhor, ficou feliz por não ter ligado.

sábado, 6 de agosto de 2011

Made in Canada

Esperei a semana toda, surpresas sempre me deixam ansiosa. Olho para ela e vejo o reflexo do meu passado. Eu já tive 15 anos, já usei blusa do NIRVANA, mas hoje estou feliz por ter deixado tudo no passado.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim" ♪

As coisas têm mudado tão rápido. Tenho pressa, fome de aprender, vontade de abraçar o mundo, Não me sinto mais “porra louca”, estou mais centrada.


(pausa para o café, porque eu aprendi que é bom). -eu não tomava café.
Uns cinco ou seis anos atrás, me lembro do chão gramado e bom da liberdade, eu passava tardes ouvindo musica, olhando o pôr-do-sol pela janela; eu sofria menos.

Demorou muito tempo até que me sentisse segura o suficiente para me trancar dentro de um novo mundo, eu lutei contra isso todos esses anos, até mesmo porque eu nunca consegui escrever regras e felicidade na mesma frase.
Eu ainda não consigo confiar em alguém, mas já consigo ser eu mesma e estou até sorrindo, me permitindo as vezes até gargalhar.

Então, de repente, não mais que de repente achei que 27 já nem é tão longe, que 3º andar era alto demais pra mim, que não valia a pena pular.

E lá estava eu, uma graduandazinha irritada com as pessoas que discriminam a sexualidade alheia, gente reprimida. De saco cheio de gente que se justifica com base na bíblia, mas que não tem um pingo de compaixão, gente que prega qualidade, mas só pratica defeitos. Gente que bate no peito e diz UFES, mas que toma leite com toddy enquanto a mãe separa a roupa já lavada e passada.

Ultimamente eu estava impaciente, eu estava simplesmente precisando de algumas cervejas e ouvir uma música legal.
E não foi o que aconteceu.

Me lembro de ver o número dele no celular e mentalizar: -liga, -liga, -liga...

Mas fiquei feliz em não ter ligado.

Eu tenho sentado do lado da janela do ônibus. Eu tenho pensado muito. Em você. (é, você.)
Eu tenho tentado me desarmar.
E eu tenho tentado emagrecer.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De como o mundo da voltas

Detestava passar naquela rua, odiava encontrar aquele menino magro, esguio, loiro, mas sem duvidas odiava ainda mais os comentários.
Antigamente aquele caminho me deixava angustiada, e eu sempre chorava até chegar em casa. Coisa boba de adolescente com opinião ainda em formação.

Hoje faço o mesmo percurso e mesmo depois de muito não vê-lo, sua presença não me incomoda mais, é com alivio que sei que essa rua não me magoa mais.
E eu chego até a sentir pena, ele já não é mais bonito, não tem uma profissão, não estudou, desperdiça agora sua juventude como servente de pedreiro. Não que serviço braçal não seja digno, pelo contrario, foi assim que meu pai me deu tudo que tenho.

Mas o que eu quero dizer é que eu estou passando por este caminho. Que eu estou seguindo em frente. Que eu cresci, tenho minha profissão, sou educada e estou estudando. E que padrões de beleza foram entendidos, agora eu me conheço melhor e me aceito.

O caminho já não me importa mais, a rua não me assusta e a presença dele já não me chateia, e no fundo ele também sabe que nesse momento os ventos sopram a meu favor, nunca mais ouvi os comentários ridículos que tanto me chateavam.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"É tanto medo de sofrimento...

Que eu sofro só de pensar" ♪

Com tanta espera os dias têm sido massacrantes, doloridos e há sempre algo ruim me rondando, sempre tenha a sensação de que me esqueci de algo. Eu não consigo simplesmente esperar, eu sofro por antecedência. Nada mais justo... Pra quem se livra do arrependimento, resta a culpa para atormentar...
É que tudo é sempre tão pouco, crio tantas expectativas que fica cada vez mais fácil me decepcionar.
Estou tentando não ter medo. Eu sou libriana e duvida é meu segundo nome. E eu não gosto das coisas que me sufocam, acho por isso que nunca consigo concluir nada que começo. Eu não gosto de ordens. Eu não gosto de controle. É proibido proibir.

“A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo,
É menos do que eu preciso” ♪♫

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Borboletas no estômago

Ainda não superei o pânico de dizer meu nome no primeiro dia de aula, que por sinal foi dia 25/07. Gostaria de ter escrito antes, mas final de mês é sempre muito corrido no escritório. A faculdade parece-me bem parecido com o ensino médio, a única diferença é que as pessoas escolheram estar lá, então acho que não teremos problemas com pessoas atrapalhando a aula. Até agora conheci quatro professores e todos eles são muito bons. Eles não são velhos, pelo contrario, são mais jovens do que eu podia imaginar.
Claro que algumas coisas nunca mudam, eu ainda prefiro ser invisível e não interagir, mas sei que é necessário. Algumas dúvidas são as mesmas, estou fazendo a coisa certa? É isso mesmo que eu quero pro meu futuro? Eu ainda não sei a resposta. Até mesmo porque só encontramos o que queremos quando sabemos o que procuramos, e eu de fato não sei.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A possibilidade de realizar um sonho me assusta, mas o fato de não conseguir realizá-lo me apavora.
Acho que é por isso que estou meio irritada, depois que passa o encantamento do primeiro contato com a realização de um sonho vem o pânico de que não é tão fácil assim. As duvidas de alguém que nunca saiu do estado, nunca viajou sozinha, medo de voar, se perder, ser assaltada, medo de nem ao menos consegui comprar o ingresso, medo de que o dinheiro não seja suficiente. Medo de não ter planejado tudo direito.
Nunca fui boa com planos e expectativas, pelo contrario, tudo que é planejado e esperado demais não da certo ou não supre as expectativas.

Por enquanto, eu só sei esperar.

FALTAM 112 DIAS